Razão 9 | As crianças com autismo merecem ABA porque são humanos

Razão 9 | As crianças com autismo merecem ABA porque são humanos

07 de Fevereiro, 2018

Razão 9 | As crianças com autismo merecem ABA porque são humanos

 

"Podem pensar que a humanidade das crianças com autismo é elementar, mas receio que estejam enganados. Há uma variedade de perspetivas sobre o autismo que, na sua essência, negam a humanidade básica dos indivíduos com autismo e que são particularmente perigosas porque podem demasiado facilmente levar a negar que as nossas crianças conseguem aprender.

Em primeiro lugar, há a perspetiva do autismo da velha escola como horrível, inultrapassável e intratável. Esta perspetiva está refletida nos primeiros registos O Top 10 das razões por que as crianças com autismo merecem ABA(1)

mediáticos populares de pessoas que trabalhavam com crianças com autismo, que começaram a aparecer na imprensa na década de 1960. A revista Life, em 1965, refere-se às crianças com autismo como "aleijados mentais há muito falecidos", "cujas mentes estão cerradas contra todo e qualquer contacto humano" (Moser, 1965). The New Yorker, em 1968, descreveu o autismo como "orgânico e incurável" e elogiou as pessoas que trabalham com crianças com autismo porque "encontram seres com cicatrizes tão fundas, tão remotos que deve ser difícil para um psicanalista sequer reconhecê-los como semelhantes" (Gay, 1968). O mesmo artigo declara que, após três anos de tratamento, um paciente estava a "tornar-se um ser humano". Esta visão do autismo apresenta os indivíduos com autismo como menos do que humanos.

No outro extremo, estão retratos de indivíduos com autismo como melhores do que humanos, possuindo dons e habilidades para além das dos indivíduos "não- autistas". William Stillman, no seu livro de 2006, Autism and the God Connection: Redefining the Autistic Experience Through Extraordinary Accounts of Spiritual Giftedness, dá exemplos dessa superdotação espiritual, que inclui uma grande variedade de talentos sobrenaturais por pessoas com autismo, tais como capacidade de ler as mentes dos outros, comunicar telepaticamente tanto com pessoas como com animais, saber o futuro, conhecer acontecimentos que ocorreram antes de eles nascerem, perceber auras e falar com anjos ou outros guias espirituais. Stillman mostra-se tão encantado com os dons espirituais das pessoas com, nas suas palavras, "experiências autistas" que os retrata como completamente "diferentes" dos seres humanos, possuindo uma vasta gama de capacidades e talentos sobre- humanos e sobrenaturais.

E, algures no meio, mas também a depreciar fundamentalmente a humanidade básica dos indivíduos com autismo, estão certas vozes do movimento neuro- diversidade. Num ensaio famoso na blogosfera, Jim Sinclair dá conselhos aos pais de crianças com autismo, na sua reflexão datada de 1993 e intitulada: Don’t Mourn for Us. Ele exorta os pais a não chorarem por crianças que foram diagnosticadas com autismo, mas sim a abraçarem o papel de advogados de defesa deste "estranho" que entrou nas nossas vidas. Ele diz que, quando olhamos para as nossas crianças com autismo, devemos pensar:

Esta é uma criança alienígena que caiu na minha vida por acidente. Eu não sei quem é esta criança ou no que se vai tornar. Mas sei que é uma criança, encalhada num mundo alienígena, sem pais da sua própria espécie para cuidar dela.

Posso só dizer que a expressão "sem pais da sua própria espécie" realmente me fica atravessada na garganta? O senhor Sinclair aparentemente não estava na sala quando dei à luz o meu filho, mas, pelo que me lembro (e lembro-me de tudo, porque infelizmente não me deram nenhum medicamento), o meu filho, gerado dentro do meu corpo durante nove meses, foi depois expulso, dado à luz por mim do meu próprio corpo. Depois, na verdade, ele passou a receber sustento a partir desse mesmo corpo, mamando durante 18 meses mais ou menos. A verdade é que é difícil para mim nomear outro ser em todo o planeta que seja mais "da minha espécie" do que o meu filho Ben (a menos que nos lembremos do seu irmão mais velho, Sean). Portanto, perdoem-me se, como uma mulher que deu à luz, estou ofendida com a afirmação de que o meu filho é um "alienígena". O ponto aqui é que este é um exemplo de mais uma outra perspetiva dos indivíduos com autismo que nega a sua humanidade fundamental – uma humanidade que eles compartilham com todos nós.

Então, era uma vez os indivíduos com autismo eram retratados como menos do que humanos e hoje são retratados às vezes como mais do que humanos ou por outros como, bem, diferentes dos humanos. Todas estas perspetivas andam perigosamente perto de negar que as pessoas com autismo são humanos – e isto é sempre arriscado.

O espectro do autismo é apenas um subconjunto do espectro humano – mas faz parte do espectro humano. Isto é importante porque os cientistas comportamentais mostraram-nos algumas ideias básicas sobre como os seres humanos aprendem. Quando negamos a humanidade dos indivíduos com autismo, corremos o risco de negar que eles podem aprender."

 

 

Excerto do artigo de Mary Beth Walsh, do Caldwell College dos E.U.A., que apresenta os benefícios da intervenção ABA no autismo através do uso de humor e anedotas, sob a forma de uma “Lista Top Ten", e ilustrando a maioria dos pontos com histórias de uma criança com autismo (o seu filho, Ben). https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/