Intervenção Comportamental Intensiva Precoce aumenta os comportamentos funcionais e as competências em crianças com perturbações do espectro do autismo.​

Intervenção Comportamental Intensiva Precoce aumenta os comportamentos funcionais e as competências em crianças com perturbações do espectro do autismo.​

02 de Fevereiro, 2018

A Cochrane é uma organização internacional independente e sem fins lucrativos, constituída por investigadores, profissionais de saúde, doentes, cuidadores e outras pessoas com interesse pela saúde. A Cochrane trabalha em colaboração com profissionais de todo o mundo para a produção de Revisões Cochrane, publicadas na Biblioteca Cochrane. A sua missão é promover a tomada de decisões de saúde com base em revisões sistemáticas relevantes e outras provas de síntese, acessíveis e de alta qualidade.

Este grupo após analisar a literatura existente concluiu que existe alguma evidência científica de que a Intervenção Comportamental Intensiva Precoce é um tratamento efetivo para algumas crianças com perturbações do espectro do autismo (PEA).

A intervenção comportamental intensiva precoce (ICIP) é um dos tratamentos mais utilizados para crianças com autismo (PEA). O objetivo da revisão realizada foi examinar os estudos que avaliaram a ICIP. Os autores encontraram cinco estudos que compararam a ICIP versus tratamentos de educação escolar especial que são geralmente usados para crianças com autismo (tratamento habitual). Apenas um desses cinco estudos randomizou as crianças para o grupo que recebeu a ICIP ou para o grupo que recebeu o tratamento habitual. Esse tipo de randomização é considerado o método ideal (“padrão ouro”) nesse tipo de investigação. Os outros quatro estudos colocaram as crianças num dos dois grupos (ICIP ou tratamento habitual) de acordo com a preferência dos pais. Examinaram e compararam os resultados dos cinco estudos. No total, os estudos incluíram 203 crianças, todas com menos de seis anos de idade quando começaram o tratamento. As crianças que receberam a ICIP tiveram um melhor desempenho que as crianças dos outros grupos, nos testes feitos após dois anos de tratamento. Esses testes avaliaram o comportamento adaptativo (comportamentos que aumentam a independência e a habilidade do indivíduo se adaptar a um ambiente), a inteligência, as habilidades sociais, a comunicação, a linguagem, os sintomas de autismo e a qualidade de vida das crianças. A evidência apoia o uso da ICIP para algumas crianças com autismo. Entretanto, a qualidade geral desta evidência é baixa. Isso deve-se ao pequeno número de crianças envolvidas nos estudos e ao fato de que apenas um estudo randomizou aleatoriamente as crianças para um dos dois grupos de tratamento.

 

Fonte: Cochrane